sexta-feira, 8 de março de 2013

Crise cultural ou só uma fase ?







Recentemente eu li um artigo do mino carta muito interessante, q abre um panorama sobre o atual estado cultural do nosso país, fazendo comparações com o passado e identificando as mazelas do presente, buscando as origens desses problemas. 

Concordo em partes, pq o mino foi displicente na sua análise, esquecendo de considerar os seguimentos alternativos q ainda acolhem bons nomes, seja na música, cinema ou literatura. Bons artistas de rock alternativo e mpb, bons filmes como febre do rato e talentosos escritores como o Daniel Galera dão uma amenizada e um folego de confiança na produção cultural nacional. Porém, como disse anteriormente, esses nomes ficam muito restritos ao circuito alternativo, distanciando-se das plataformas populares q poderiam estimular o seu crescimento e diversificar o quadro cultural exposto a população em geral. Mino acerta em cheio quando notifica q a cultura de massa está se mediocrizando e sendo vítima de uma desertificação proporcionada por uma mídia q não confere espaço para outras vertentes se expressarem.

Obtemos pela mídia - não só televisa, mas também dos grandes portais de entretenimento da web-, um conteúdo do qual eu jugo ser de baixissima qualidade, excetuando-se algumas produções q esporadicamente mostram as caras na grade de programação. Milhares de brasileiros consomem novelas com roteiros pobres, interpretados por personagens caricaturais q já foram explorados e reciclados exaustivamente. Assistimos programas de auditórios q capitalizam a pobreza, imprimindo quadros demagógicos e exaltando artistas bregas q ostentam conceitos sexistas e consumistas em suas letras envoltas num arranjo musical genérico e pifiamente executado. Visitamos homepages q são dominadas pelos mesmos gêneros popularescos, pelos mesmos artistas, tudo já previamente orquestrado para por em prática a óbvia estratégia do jabá. Ou seja, a cultura popular está entrando numa fase de estereotipização q assimila superficialidade das produções atuais como se fosse a sua unica caracteristicas. Afinal, periferia é funk vulgar, é o pagodão melodrama; suas mulheres são as q contém o sufixo fruta e os seus homens são MC s q assumem o comportamento padrão do machista dominador. São essas figuras q hj estão em destaque e portanto representam comercialmente a cultura de massa, emitindo assim um raio de influência considerável nas camadas periféricas. 




Fico me perguntando, quando teremos uma nova geração de artistas populares, oriundos das comunidades, q tenham a mesma projeção e principalmente qualidade de um Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Pixinguinha (..) etc Artistas q têm o poder de seduzir qualquer pessoa independente de classe social, pois criam uma arte q desenvolve-se na subjetividade, na sutileza poética, no requinte instrumental, nos padrões artísticos universais q estão acima de qualquer categorização social. Entretanto, hoje, cadê esses artistas ??. 

O q vemos é a estratificação cultural agindo ferrenhamente, isolando outros gêneros, elitizando-os. Baseando-se nas preferências culturais de um sujeito, é fácil vc traçar em qual classe ele reside. É um indicio forte dessa divisão. 

Temos uma cultura popular monopolizada, que sufoca qualquer sopro de criatividade q se distinga dos gêneros brega-popularescos predominantes. 

Enfim, concluo esse texto jogando algumas questões para fomentar a reflexão. Estamos passando realmente por uma crise cultural popular ?. Como podemos solucionar esses problemas ?; como podemos enriquecer e diversificar o quadro cultural popular do país ??; através da regulação midiática ?; da implantação de canais estatais, oferecendo uma base para q artistas independentes possam expor o seu trabalho ??. Ou só obteremos tais mudanças mediante a uma melhoria educacional ? . Necessariamente eu penso q a coalizão entre regulamentações midiáticas e a melhoria no ensino público nos proporcionaria excelentes frutos em diversos setores culturais e artísticos.

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