"Mad Men" é um seriado produzido pelo canal de televisão norteamericano "AMC", a mesma casa de outras famosas séries, como a sensacional "Breaking bad" e a tediosa e inconsistente "The walking Dead". Mad Men nos relata a rotina dos funcionários da agência de publicidade "Sterling-Cooper" no início da década de 60, subdividindo a trama através de vários personagens que revesam o protagonismo de cada episódio com "Don Draper", o diretor do setor criativo da agência e o principal personagem da série.
A respeito dos outros personagens, Peggy é a que também obtém um destaque relevante; uma tímida
secretária que se promove para o setor criativo através da sua percepção aguçada e avançada comparada a mentalidade feminina da época, que era limitada e reduzida aos papéis secundários impostos a elas pelo mercado de trabalho. Peggy é uma das minhas personagens preferidas, pois ela rompe preceitos ao desafia o senso-comum, provando que uma mulher pode exercer um cargo de importância assim como qualquer homem. Há tantos outros personagens não menos interessantes que ocupam a atenção das lentes durante os episódios, exibindo seus dramas de maneira natural, bem atuada e maravilhosamente dirigida. Roger Sterling, Pete Campbel, Joan, Harry Crane, etc. É uma gama de perfis e sub-enredos que fluem organizadamente ao longo dos 45 minutos de episódios, aprofundando e revelando paulatinamente cada aspecto desses personagens que fogem de qualquer caricatura ou definições morais; são humanos, complexos e relativos, e a série não falha em reproduzir toda essa volatilidade psicológica.Um ponto altissimo da série é a ambientação construída delicadamente, transmitindo toda uma atmosfera convincente e charmosa, que exala dos figurinos, carros e hábitos que constituíam parte da rotina da sociedade americana da década de 60, concedendo-nos uma base para traçar paralelos com o presente; fumar era uma atitude quase que involuntária, um instinto que estava presente no comportamento de grande número de cidadãos americanos, sem o mínimo preocupação com a saúde, já que a mídia não publicava os maléficios do fumo devido ao controle rígido das grandes empresas que não queriam ver de forma alguma seus produtos sendo desvalorizados por essas informações. Hoje ainda é assim, mas naquela época a intensidade era maior. Outro hábito
característico dessa época, era à prática da mãe de família zelosa e submissa, que preparava a janta, cuidava dos filhos e esperava pacientemente a chegada do marido em casa, executando um papel rígido que se apresentava como uma obrigação para qualquer mulher. Mães solteiras ou simples solteiros(ª ) não eram muito bem vistos, pois a expectativa da mentalidade coletiva considerava que o matrimônio era o destino indelegável para qualquer individuo que almejasse respeito e notoriedade no contexto patriarcal. Ainda hoje há reminiscências dessa concepção, embora sua influência esteja regredindo sob as novas gerações. Gays assumidos, um fato raro, e negros visíveis, apenas como meros serventes. Hoje, muitos gays já saíram dos armários, mas os negros continuam relegados a profissões de baixa remuneração e sendo vítimas da marginalização. Perceba que vivemos num tempo onde partilhamos certos aspectos comuns desse período, porém com menor incidência.A série retrata fielmente essa realidade conservadora, sem qualquer melodramatização ou clichês, utilizando-se dos talentos dos atores que interpretam muito bem as identidades conturbadas e dinâmicas do seriado. A parte técnica é soberba, uma condução fluída contando com uma ótima fotografia que exibe planos-sequências estupendos. Todo esses atributos fazem de Mad Men um drama top de linha, com grande valor artístico que nos permite avaliar prazerosamente uma dimensão histórica.
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